RESENHA Livro Notas do Subsolo de Fyodor Dostoiévski (1864)
Sinopse: O conto é um excerto das memórias de um homem que vive em
São Petersburgo, esse homem não tem nome e ficou conhecido como “O
homem subterrâneo”. É um trabalhador comum, uma pessoa normal,
que nasce, cresce, trabalha, adoece e morre, sem fazer muito alarde,
vivendo uma vida medíocre, sem fortes emoções, porém agora,
doente, e beirando o final de sua vida, o personagem relembra e
analisa sua trajetória humana, com a boca espumando, com uma forte
ira internalizada, afinal, trata-se de um sujeito enquadrado
perfeitamente dentro dos padrões e morais da sociedade, ou seja
“adoçado” pela vida em sociedade.
“Todo homem decente de nossa época é e deve ser covarde e
escravo. É a sua condição normal.”
“Um homem inteligente do século dezenove precisa e está
moralmente obrigado a ser uma criatura eminentemente sem caráter; e
uma pessoa de caráter, de ação, deve ser sobretudo limitada.”
Considerações sobre o livro: O
Homem subterrâneo tornou-se uma influência para diversas
personagens criadas em trabalhos posteriores. Alguns exemplos disso
são Nikolai Levin, personagem do romance Anna
Karenina,
de Tolstoi,
a personagem Mersault, do romance O
Estrangeiro,
de Camus;
Gregor Samsa, personagem do romance A
Metamorfose,
de Kafka;
e Moses Herzog, personagem do romance Herzog,
de Saul
Below.
Foi
também, forte influência no filme “Taxi Driver” de Martin
Scorcese.
Nota: 5/5
Opinião: É uma obra curta, porém não é uma leitura rápida,
simplista, muito menos leviana. Cada linha é um soco na boca do
estômago, o linguajar é rebuscado sem ser pedante, as digressões
profundas mas não incompreensíveis, e mais que tudo, um relato
acessível, impossível não se identificar: coisas de Dostoiévski…
Sem dúvida é um “não morra sem ler”.
