Gregor Samsa acorda um dia e se vê transformado em um inseto.
Inspirado por Notas do Subsolo de Dostoiévski “Não apenas não
consegui tornar-me cruel, como também não consegui me tornar nada:
nem mau, nem bom, nem canalha, nem homem honrado, nem herói, nem
inseto”.
Gregor é um caixeiro-viajante, vive de trem em trem, hospedando-se
em hotéis baratos e se alimentando mal e com isso sustenta sua
família que passam a vê-lo como um inseto, um mero provedor. Seu
chefe também o vê como um inseto, mas o pior de tudo é que ele
mesmo passa a se ver como um inseto. Esse fato me lembra a frase de
Sartre “O inferno são os outros” que se refere-se ao fato de que
não podemos escapar do olhar e do julgamento alheio, não podemos
controlar como somos vistos, mas o pior é que corremos o risco de
passar a nos enxegar através do olhar do outro.
Gregor
sofre todo tipo de abuso em seu trabalho e por parte da família, ou
seja, é tratado como um inseto. A família o isola em um quarto sujo
e sem móveis e o alimenta de restos e comida podre. O mais triste é
que Gregor não vê maldade nos atos da família: o pai o abusa
fisicamente, a irmã psicológicamente e a mãe o negligencia.
Afinal, o que é que nos torna humanos? Kafka responde: A arte!
“Poderia ser realmente um animal, quando a música tinha sobre si
tal efeito?”





