quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

RESENHA LIVRO “O CASTELO DE OTRANTO” (1764) por Horace Walpole



Sinopse: O livro conta a história de Manfred, senhor do castelo de Otranto, e sua família. O livro começa no dia do casamento de seu filho Conrad com a princesa Isabella. Pouco antes do casamento, porém, Conrad é esmagado e morto por um elmo gigante que cai do alto. O evento inexplicável é particularmente agourento à luz de uma antiga profecia de que "o castelo e o título de senhor de Otranto deixariam de pertencer à atual família se o proprietário real se tornasse grande demais para habitá-lo".

Considerações sobre a obra: O Castelo de Otranto é um romance de 1764 e foi o primeiro romance da literatura gótica. Na primeira edição Walpole simulou tratar-se de uma tradução de um manuscrito italianomedieval. Na edição subsequente reconhece a autoria e explica que tentou mesclar os dois tipos de romance, o antigo, dominado pela imaginação, e o moderno, fiel à realidade. Resulta uma mistura do sobrenatural, visões fantasmagóricas, fatos inexplicáveis, por um lado, com as paixões, intrigas e psicologia próprias das pessoas de carne e osso, por outro lado. A mansão neogótica do autor em Stawberry Hill pode ser visitada até hoje. "Uma fantasia que transcorre na Idade Média cavalheiresca, o romance lida com emoções violentas, levando seus personagens ao limite psicológico. Crueldade, tirania, erotismo, usurpação — tudo isso se tornou, com o cenário, típico das narrativas góticas".


Nota: 3/5

Opinião: Resolvi ler a obra pelo fato de ter sido o primeiro romance gótico já escrito, ou seja, a primeira história que traz eventos sobrenaturais, fantasmas, suspense, e consequentemente inspirou vários autores depois dela, consolidando os gêneros de terror e suspense na literatura. Confesso, no entanto, que apesar da obra ser visionária não gostei da escrita do autor. Vários dos acontecimentos são “jogados ao vento” sem muita lógica ou sentido. Como era obcecado pela era medieval, descreve objetos desta época com louvor, mas deixa a desejar na descrição de itens importantes para o contexto da história. Enfim, a história em si é muito boa, os primeiros capítulos são morosos, mas a partir do terceiro é impossível parar de ler até saber o final. Dizem que o autor não tinha o intuito de escrever uma grande obra nem de ser levado a sério e talvez por isso a obra tenha esses “buracos”. De qualquer maneira recomendo muito que leiam, tanto curiosos pela história, quanto escritores e interessados por literatura, ler essa obra me abriu os olhos para as diversas vicissitudes que inspiradas nela compõe a literatura contemporânea.

Ah! Um pequeno spoiler para o próximo post: a autora Clara Reeve escreveu “O velho Barão Inglês” em 1777, obra com o subtítulo “um romance gótico” que consolidou de vez o gênero. Seu livro é inspirado na história do Castelo de Otranto. Essa professora de inglês se propões a reescrever a história amarrando todos os fios soltos e partes que deixaram a desejar no outro. Aguardem que vem resenha desse em breve...

2 comentários:

  1. Agora posso dizer que fiquei mais curiosa com a resenha d'O Velho Barão Inglês, do que em ler esse livro. Não gosto mesmo de história com ponto sem nó 😂😂😂

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  2. Ah, mas não tem graça ler o "Barão" sem ler o "Otranto", um é complemento do outro :D Mas aguarde, quando você ler a resenha do outro você decide...

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